segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Parte 15 - Caminhos por descobrir...














Fotos tiradas em Agosto de 2008, em diversos sítios de Angola.

quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Parte 14 - Despojos de guerra...

Em muitos locais de Angola encontram-se, com relativa facilidade, tanques e outros equipamentos de guerra abandonados e destruídos... Eis alguns...






Fotos tiradas entre as cidades do Kuito e do Huambo.

domingo, 14 de Junho de 2009

Parte 13 - Um quarto em Menongue por 110 USD...




Numa das minhas poucas, mas sempre enriquecedoras, viagens por Angola, precisei ir de carro de Luanda até Menongue, capital da Província de Cuando-Cubango, no sul de Angola.


A viagem até lá, durou cerca de 20 horas, por estradas que estavam francamente melhor do que imaginava.


Mesmo assim, confesso que se não tivéssemos ido numa pickup de tracção às quatro rodas, teria sido praticamente impossível chegar lá, não pelas fotos que mostro, mas por outras que não foram tiradas e retratariam sítios difíceis de transpor, mesmo tendo a deslocação sido feita em Agosto, ainda dentro da estação seca.


Depois de concluído o nosso trabalho em Menongue, ao final do dia, já não conseguimos encontrar sítio para jantar em restaurante.


Assim, sobrou a alternativa da comida de rua: Encontrámos uma mulher que estava a vender espetadas de carne grelhadas no carvão. Enquanto ela terminava de as grelhar, meti conversa com ela... Uma mulher de Benguela em terras da Angola perdida... Muito simpática por sinal e de fácil trato.


Quando ela terminou de grelhar os acepipes, colocou-os num saco de plástico transparente e espremeu lá para dentro meio sumo de limão.


Com umas cervejas Cuca compradas numa mercearia local e uns pães, lá fizémos a janta... Também, por aquela hora depois de um dia de trabalho difícil e sem comer, tudo marchou rápido para o bucho...


Depois de jantar e de um bocado de prosa, fomos passar a noite a um quarto que, nem as fotos acima podem mostrar o nível deplorável de higiene... Porém, como o alojamento por lá é muito escasso, mesmo assim a espelunca custou-nos 110 USD.

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Parte 12 - Fotos do Lobito (Parte II)




















Fotos tiradas em Agosto de 2008 por colegas de trabalho.

sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Parte 11 - Fotos do Lobito (Parte I)





















Fotos tiradas em Agosto de 2008 por colegas de trabalho.

segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Parte 10 - Saltinho até Cabinda (O Regresso)...


Depois de aterrar em Cabinda, fui a correr agarrar a mala logo que desci do avião. Voltei a colocar tudo dentro da mochila e lá saí do terminal aeroportuário de Cabinda.

Chegado cá fora, debaixo de um sol lindo, escolhi um taxi particular, coisa que em Luanda é menos frequente de ver... Com efeito, em Luanda funciona mais o sistema das carrinhas azuis dos candongueiros...

O nome do taxista era Elias... Com um grande sorriso na cara, lá me levou para o meu destino na cidade de Cabinda...


O carro dele era muito engraçado... Ao exercer o meu hábito de colocar o cinto de segurança, reparei que o carro não tinha... Já tinham sido certamente arrancados numa outra guerra... O carro era muito velho e da tinta original, já não existiam vestígios...

Então lá arrancámos pela estrada fora e, com o meu cotovelo de fora na janela, reparo que as portas já não têm vidros e os manípulos para subir os desaparecidos vidros também haviam seguido o mesmo destino...


Mas a minha surpresa concretizava-se agora ao olhar com mais atenção para a frente quando reparo que bem no canto superior direito do vidro da frente do carro, mesmo diante dos meus olhos, estava um buraco de bala bem bonitinho daqueles que dá para enfiar lá o indicador bem à justa...

Bem... isto é o corolário de que o melhor é aproveitar a vida enquanto cá estamos, porque no minuto seguinte não sabemos o que será do nosso destino... Interrogava-me se aquele buraco de bala teria sido o resultado de algum assalto ou uma bala oferecida pelo movimento separatista das FLEC.


Depois de percorrer um caminho de uns 20 minutos, em que o meu taxista ia cumprimentando toda a gente por quem passávamos... Um tipo muito conhecido ali por aquelas bandas e aparentemente muito acarinhado...

Vamos embora... vamos embora... que já estou atrasado... óhhh Elias... rsrsrs O carro não dá mais, amigo??? - Digo-lhe eu...


Uma das coisas que mais me chamou a atenção em Cabinda é o facto das ruas se enontrarem limpas e não se ver lixo espalhado por todo o lado como ocorre em Luanda... Embora a cidade tenha um aspecto extremamente pobre e rústico, é daquela zona que sai o petróleo que alimenta grande parte da economia de Angola...

Como em qualquer zona do país, o pó vermelho é omnipresente, tanto nas ruas como dentro das casas...

Finalmente, cheguei ao meu destino onde fui tratar de assuntos relacionados com as Eleições Legislativas 2008, que se iriam realizar no início de Setembro...


Passei o dia todo nas instalações do meu cliente e às tantas, as coisas acabaram por demorar mais do que eu esperava e fiquei muito em cima da hora para apanhar avião de volta para Luanda...

Como estava mesmo muito apertado de tempo, pedi se eles poderiam arranjar um motorista para me levar... Então, passado um bocado dizem-me que estão todos fora... e que não tinham ninguém...

Entretanto, quando o meu coração já estava um bocado acelerado com a perspetiva de perder o avião e ter de regressar só no dia seguinte, descobre-se um motorista...


Então, lá vou eu de mochila às costas... e depois de chegar ao motorista, ele fala que não me pode levar porque o jipe dele não tinha gasóleo...

- Ahhhhhhhhhh!!! Digo eu para ele...
- Ohhhh, homem eu pago o gasóleo!!! Vamos lá meter gasóleo... e os minutos a contar... Até parecia que ouvia o relógio do meu telemóvel... tic.. tac... tic... tac... Pois, mas..., na verdade, era antes o barulho das batidas do meu coração...

Embora, apenas fosse uma pessoa para apanhar avião (euzinho...) íamos 5 pessoas no jipe e acho que só não foram mais porque não cabiam.

Lá fomos meter gasóleo na único posto de abastecimento que havia por ali, bem situado no meio de uma praça... Chegados lá, encarámo-nos com uma fila de carros parados que rodeava a praça toda... Deviam ser pelo menos uns 50 carros para meter combustível...


Demos duas voltas à praça, perfeitamente incrédulos com a situação e as batidas do meu coração já batiam ao som do sino da igreja da praça...

Então chegámo-nos à frente de todos, bem junto da bomba de combustível e pedimos para nos deixarem meter gasóleo pois eu estava muito atrasado para apanhar o avião... É impressionante como foram todos impecáveis e simpáticos, sem ninguém refilar.,.. Estaria a imaginar uma cena destas com 50 carros em Portugal... Estariam agora a ver os meus presuntos penduradinhos ao fumeiro... hahaha...

Enquanto tudo aquilo acontecia, passa um cortejo funebre de carros, a rítmo rápido, em que o caixão ia numa camionete de caixa aberta, totalmente coberto de mulheres (vivas, claro... rsrss) vestidas com roupas tradicionais e deixando um rasto de cantares e choros para trás...


Metemos 600 Kwanzas de gasóleo e lá fomos nós à pressa para o aeroporto, quando somos confrontados por uma fila enorme de carros para sair de Cabinda... Então o motorista, deu meia volta e fomos passar por intermédio de uns bairros de lata, onde se vê o que é a pobreza e a miséria no seu pior, mas sempre com ruas limpas de lixo...

Aproveitando aquele atalho, lá fomos chegando ao aeroporto... Por aquela altura, já não fazia a mínima ideia se ainda iria conseguir apanhar o avião... apenas confiava nos atrasos constantes que se verificam nas partidas...


Chegado ao aeroporto, seguido pela fantástica comitiva de despedida que me acompanhava, vou ao check-in e apresentei o meu bilhete, com a minha língua pendurada para fora, tal não era o stress...

A senhora do balcão, diz-me então:
- O senhor não tem reserva efectuada!
- Ahhh!!! Não tenho reserva?!?! Digo incrédulo...
- Mas olhe... - continuei eu -, tenho aqui a reserva indicada no bilhete da TAG!!! Como é que não tenho reserva?
- Pois... mas o senhor precisava de ter efectuado a confirmação da sua reserva com antecedência...

A minha alma, ainda pouco habituada às práticas de vida de Angola não conseguia entender que ali é preciso confirmar antecipadamente uma reserva que, supostamente, já estaria confirmada... Afinal uma reserva deveria querer dizer que tinha a passagem reservada para mim... E ainda por cima, no próprio bilhete dizia que a reserva estava confirmada pela agência...


Às tantas, digo:
- Quero falar com o responsável... Pode chamá-lo, por favor? E ela diz: Aqui não tenho de telefone... Tem de ir ter com ele ao escritório, cuja entrada fica do lado de fora do terminal no piso de cima...

Depois de andarmos todos à procura do responsável da TAG, lá consigo falar com ele... Então ele diz-me que não pode fazer nada porque eu devia ter feito a reserva antecipadamente e agora já era tarde de mais...

Então tive de lhe explicar que estava em trabalho para um cliente institucional muito importante e que precisava de estar a certa hora em Luanda para uma reunião... Caso não estivesse iriam ser pedidas responsabilidades pelas próprias entidades governamentais...


Ele coçou o queixo e disse-me:
- Mostre-me lá outra vez o bilhete...

Então levou o dito ao balcão do check-in e disse à senhora que lá estava que podia aceitar o meu bilhete... Depois disse-me para, da próxima vez, confirmar antecipadamente a passagem...

Uff!!! Feitos os abraços à comissão de despedidas (fantásticos tipos) e os devidos agradecimentos por todo o apoio e ajuda dada, lá sigo para a sala de embarque...

Fogo!!! Vamos agora acalmar... Entretanto, tive oportunidade para acalmar mesmo pois, mesmo tendo chegado atrasado, ainda esperei mais de três horas pela partida...

Aparentemente, o avião que era para vir, teve um furo e teve de ficar parado, numa nuvem qualquer, à espera de um reboque vindo do espaço...


Quando finalmente, apanhei o autocarro que me levaria ao avião, já era noite escura... Chegados ao avião, estava tão escuro que tinhamos dificuldade em ver onde é que estava o bicho... Os funcionários tiveram de nos chamar aos gritos, dizendo: É por aqui!!! É por aqui!!!

Ao chegar a Luanda, foi com alegria que revi o motorista que me veio buscar...


Fogo!!! Que dia... Decididamente, prefiro andar em aviões militares...

sábado, 8 de Novembro de 2008

Parte 9 - Saltinho até Cabinda...


São 4:00 da manhã... Acordo com o barulho do despertador do meu telemóvel... Tenho de estar às 5:30 no aeroporto, pois hoje vou a Cabinda em trabalho...

De novo a rotina de tomar duche de boca fechada... Embora, nesta altura, já não me preocupe com isso da mesma forma... vou até deixando entrar água na boca, mas sempre sem engolir.

Na lavagem dos dentes continuo a usar água mineral... Não vale a pena arriscar demasiado por este pula que ainda há poucas semanas entrou em Angola pela primeira vez... embora ainda no outro dia tenha lavado os dentes com água da torneira, quando se acabou a água mineral, pois também não gosto de paranóias...

Desço lá abaixo à cozinha e descubro que o pão disponível é tão duro quanto as pedras da calçada...


Caraças! Digo para com os meus botões... enquanto olho para a mandioca frita e a batata doce cozida... Ora vai isto mesmo, pois o Jonas (um dos nossos motoristas) já deve estar a chegar para me levar ao aeroporto...


Bolas!... Já são 5:00 e o Jonas ainda não chegou... Ligo-lhe e nada! O telefone dele toca, toca e o tipo não atende... Se não chega depressa ainda perco o avião e muita coisa está em jogo...

Às 5:15, já muito preocupado com as horas, tenho de acordar o Mário, um dos meus colegas que trabalha e que vive aqui em Angola... Ele dorme na nossa casa de pessoal.

O Mário levanta-se num pulo e lá me leva ao aeroporto, no seu "ganda" jipe...


Ele tem um Hyundai Santa Fé de gasolina, equipado com caixa de mudanças automática e para aí uns 242 cavalos de potência com 3,3 L de cilindrada... O motor deste carro não se ouve a trabalhar mas antes a rugir... É que em Angola, a gasolina só custa cerca de 40 cêntimos... (e o gasóleo cerca de 29 cêntimos). Por isso, aqui o problema não é tanto o custo do combustível, mas sim a demora para abastecer nos postos de combustível.

Com dois tubos de escape a cuspir, lá seguimos à doida pelas ruas ainda desertas do centro de Luanda, enquanto os carros que vêm dos arredores da cidade já se encavalitam para entrar pelos principais acessos...

Rapidamente chegamos ao terminal de vôos domésticos onde, à entrada me despeço do Mário...


Ao entrar na zona do estacionamento do terminal, sou logo abordado pelos guardas de controlo da entrada, a pedirem o meu passaporte, pois vêm uma oportunidade para sacar alguma coisa a ese pula...

- Que queres, mano? Pergunto eu, com ar de despercebido...
- Oh, mano, sabes bem o que eu quero (ele rindo....). Só quero que me desejes um bom fim de semana...
- Haha, largo eu uma gargalhada... tá fixe... E enquanto sorrio para ele, deixo-lhe 200 Kwansas que tirei do bolso...

Finalmente entro dentro do terminal e, como já imaginava, sou confrontado com uma enorme confusão de gente...


O terminal de vôos domésticos de Luanda é um barracão que não se parece nada com um aeroporto, uma vez que não dispõe de postos de atendimento informatizados, nem de ecrãs de informação com horários dos vôos... A sinalização interna é quase inexistente e é difícil, para quem não está habituado aquelas andanças, perceber qual é o local indicado para fazer o respectivo check-in...

Perguntando aqui e ali, lá me posiciono no final de uma fila de muita gente... A espera é demorada e o atendimento é totalmente manual... Volta e meia lá se vê alguém a dar o golpe e a tentar meter-se à frente para ser atendido primeiro... Uns refilam, ou ficam calados para evitar confusão...

Olhando com mais atenção, enquanto espero, vejo outros a dar dinheiro a funcionáios do aeroporto para que o check-in seja feito pela "porta do cavalo" e assim evitar a demora nas filas...


Aquele terminal fervilha de situações de favorecimento pessoal a trocas de dinheiro como fui aprendendo ao longo das diversas situações em que tive de estar naquele local por questões de trabalho...

Quando chegou a minha vez, disseram-me que a minha mochila tinha de ir no porão do avião pois era muito grande... Na altura, não entendi porquê, pois tinha trazido a mochila comigo dentro do avião quando vim de Portugal. Como tinha lá dentro o meu laptop e documentos importantes fiz questão de levar a dita comigo e eles não insistiram...

Além disso, queriam pesar a minha mochila. mas a minha mão foi agarrada a ela para balança, pois tive receio que me levassem a mala para o porão do avião... Então colocaram-me duas etiquetas na mala e devolveram-me a dita... (Ah, pula totó... que ainda só andas a aprender como as coisas funcionam por aqui... vim a perceber mais tarde...).


Depois do check-in, fui para a sala de embarque onde aguardei pelo avião. Mais meia horita de espera... Depois chamaram os passageiros que iam para Cabinda e lá fomos apanhar o autocarro que nos levaria ao avião...

Fui já dos últimos a entrar e fiquei no fim do autocarro. O engraçado do autocarro é que parecia uma versão adaptada ao Portugal dos pequeninos pois os bancos eram tão reduzidos que a pessoa que fica do lado da janela, mesmo sendo de estatura normal, ocupa um banco e meio... hehehe...

Foi hilariante olhar para aquela cena de um autocarro cheio em que as pessoas que ficaram sentadas do lado de dentro ficavam com metade do rabo de fora.... (Amigos... foi um sarro... como dizem os zucas...).


Saído do autocarro, fui dos últimos também a sair e ao tentar subir para o avião, a hospedeira não me queria deixar entrar no avião porque a minha mochila de mão tinha duas etiquetas e uma delas indicava que tinha de ser levada no porão.

Ahhhh... tipo do check-in filho da p... Foi nessa altura que percebi que tinha sido enganado... Da próxima vez tenho de arrancar a segunda etiqueta... rsrsrs).

Criou-se uma situação desagradável porque eu não queria largar a mala (tinha lá o meu laptop e mais uma série de documentos de trabalho muito importantes e que não queria perder...). Às tantas já estava toda a gente dentro do avião sentada à minha espera e eu ainda a discutir com as hospedeiras...


A situação complicou-se e às tantas já eram mais três funcionários a discutir comigo... Um dos meus receios também, era que à chegada ao aeroporto em Cabinda, aquela mala pudesse desaparecer enquanto esperasse por ela na zona de recepção de bagagens. Além disso, eles tratam as malas como sacos de batatas de 50 kilos, atirando-as muitas vezes para o chão sem qualquer dó como já havia visto por várias vezes em Luanda...

Então a hospedeira disse-me, às tantas, que eu poderia ficar com a mala, mal ela fosse tirada de dentro do avião à chegada a Cabinda...

Então eu falei:
- Ah, então assim é outra coisa...


Com muito custo, e de lágrima no olho, perante aquela situação de inesperada separação da minha mochila (rsrsrs), abri a mala mesmo ali aos pés da hospedeira em cima da placa (pista) do aeroporto e tirei de lá para fora, o cabo de alimentação do laptop e enfiei num bolso das calças... Tirei o carregador do laptop e coloqueio-o no outro bolso... Depois tirei o laptop e um caderno de notas e folhas soltas importantísssimas e lá deixei ir a mala, vendo onde é que ela ia ser colocada...

E pronto..., lá entrei no avião (um modelo pequeno com hélices com capacidade para umas 25-30 pessoas...) Como fui o último a entrar, fui para o fundo do avião, que era o único lugar disponível...


Enfim... lá nos elevámos pelo ares e seguimos em direcção a Cabinda pelo meio das nuvens que almofadavam o céu azul...

Nota: Esta história continua na Parte 10 - Saltinho até Cabinda (O regresso).